As eleições autárquicas de 2017 foram intensas e muito ricas em grandes projectos vestidos de promessas. Promessas apresentadas como únicas, megalómanas, mas sempre a solução milagrosa para os problemas que o munícipio apresenta.

As eleições já passaram e os vencedores, passados sete meses, deveriam estar a dar início às tais obras milagrosas. No entanto, o que verificamos, a cada mês que passa, é que elas, algumas garantidas até em acordos com o Governo, ainda não viram a luz do dia. Na semana passada soubemos pela voz do senhor Presidente da Câmara, Domingos Bragança, que a obra, tantas vezes prometida, da requalificação do Teatro Jordão vai ser mais uma vez adiada. Continuamos a lamentar a degradação de um espaço cheio de história para Guimarães mas com pouca importância para o executivo, a não ser a de o utilizar como bandeira nas eleições.

No mesmo seguimento, as obras que permitiriam facilitar o acesso aos parques industriais, para potenciar o surgimento de novas empresas. Parece quase surreal que o executivo anterior nada tenha feito e o actual continue a marcar passo na melhoria dos acessos aos parques industriais!

Tal como a construção do saneamento básico que, em pleno séc. XXI, ainda não existe no parque de Penselo/ S. Lourenço de Selho, caso que a CDU já questionou no passado e que lhe foi respondido que “desta é que era” e que estava tudo preparado para se dar início às obras. Continuamos à espera para ver.

Como não podia deixar de ser, relembramos que passaram 7 meses das eleições e está cada vez mais claro que, afinal, não é em 12 meses que se vai resolver o desnivelamento da rotunda de Silvares.

Túnel ou viaduto, eis a questão.

Pois, agora está tudo nas mãos das Infraestruturas de Portugal, empresa que, consta, já terá feito um pré-estudo, e arregaçam-se as mangas para iniciarem a preparação do projecto. Mas, caros condutores que perdeis anos de vida para entrar ou sair da auto-estrada em hora de ponta, depois do projecto ainda vêm os concursos e, como sabemos, às vezes estes processos são longos.

O AvePark cresce, torna-se atrativo para os empresários, vira-se para a indústria 4.0, que promete revolucionar, mas da via dedicada, que estava para começar, mais dia menos dia, nada. Não desanimem vimaranenses e empresários. Terão só que esperar mais um pedacinho. Logo que o desnivelamento de Silvares estiver resolvido, será sem medo que se destruirão reservas RAN e REN para que a ligação do AvePark à autoestrada se faça sem desgaste da embraiagem dos veículos.

E por último, mas não menos importante, soubemos na última Assembleia Municipal que vai ser construída uma Rua/Variante que promete facilitar a ligação da entrada na zona Sul do Concelho. Há sempre uma dúvida e desta vez não se sabe se será rua ou variante. Uma rua tem passeios de determinado tipo e uma variante de outro. Uma rua e uma variante têm regras distintas de velocidade que pode ser praticada em cada uma delas. São muitas questões!

Vimaranenses e amigos nada temam: as construções na cidade acabarão por aparecer, e até podem ser mais do que as promessas para que no balanço final se diga que se cumpriu não só o programa eleitoral como ainda se fez mais. Caso, claro, as entidades responsáveis contribuam e não empanquem processos, porque como sabemos a culpa é sempre dos outros.

Foi você que pediu mais um adiamento?


Nota: artigo publicado no jornal Duas Caras em 17 de Março de 2018.