Depois dos dias corridos e cheios, das esperanças que enchiam o peito e faziam alguns brilhar no passeio do Toural tudo volta ao lugar. Pouco mudou e no panorama político umas danças de cadeiras e umas caras novas prometem um futuro mandato agitado.

O Ambiente está na moda, a sua protecção e sustentabilidade, são palavras novas que invadiram o léxico dos vimaranenses nos últimos 4 anos para que a candidatura a Capital Europeia Verde tenha sucesso e possamos todos juntos festejar.

No entanto, antes da festa deveríamos todos perceber o que se alterou. Olhamos à nossa volta e vemos que Guimarães está mais Verde, que cada vimaranense mudou hábitos antigos? Ou olhamos à nossa volta e o que vemos são comportamentos iguais aos do passado?

A cidade cheia de carros em que o pára arranca é a realidade da maior parte do dia. Os autocarros que ainda não chegam a todo o concelho, nem podiam chegar que as mudanças são lentas e não queiramos mudar tudo de uma vez. A dificuldade de chegar à entrada da auto-estrada e da saída da mesma.

Tudo continua igual, o Rio Ave que nem teve sequer lugar de destaque durante a campanha eleitoral, já ninguém se lembra dele. O hábito de usufruir do rio perdeu-se, a sua despoluição às vezes é uma realidade que será rapidamente resolvida, pois reúnem-se várias entidades, muitas entidades, fazem-se planos de despoluição e nada, nada acontece.

Pouco mudou, quando saímos da auto-estrada e vemos as suas bermas pintadas de branco dos recibos que cada automobilista resolveu deitar pela janela e que o concessionário não se preocupa em limpar ou em colocar um cesto de lixo na portagem. Pouco mudou quando vemos que em algumas ruas do concelho o lixo “grosso” é abandonado durante dias sem que ninguém o recolha apesar das denúncias.

A questão é que a candidatura foi entregue em Setembro, estaremos agora a ser avaliados em comparação com outras cidade que também concorreram ao título. Estaremos sobretudo esperançosos que esta candidatura traga mudança de comportamentos e que mais do que o título os vimaranenses sintam e contribuam para uma cidade onde é bom viver, a todos os níveis.

Contudo, passados 4 anos de ouvirmos e participarmos em algumas iniciativas de consciencialização que mudanças ocorreram? O que vimos de diferente? Onde sentimos a mudança? Há mudanças? Há, mas são verdes.


Nota: artigo publicado no jornal Duas Caras em 28 de Outubro de 2017.