Em terra de conquistadores as conquistas parecem sempre poucas. Os vimaranenses merecem mais, merecem que o seu concelho não perca o ritmo e continue a avançar ao ritmo do desenvolvimento e da evolução que a cada ano que passa sentimos.

Sempre de mãos dadas com o passado, no respeito pelas nossas tradições e pelo nosso legado, Guimarães desenvolveu-se a vários níveis. Vimos a cidade a mudar e o restante concelho a progredir de forma lenta e nem sempre respeitando o ritmo que a população exigia.

No final de 2018 os balanços surgem para nos animarmos a fazer mais e melhor. Esperamos todos entrar em 2019 com os dois pés bem assentes na terra e fazer da nossa terra aquilo que ela merece.

Apesar da corrida a Capital Europeia Verde ter a sua meta anunciada apenas para daqui a uma década, o ano que termina foi dominado pela “agenda da sustentabilidade” e bem perto dos últimos dias do ano foi apresentada aos vimaranenses, de forma tímida e pouco convicta, a Estrutura de Missão Guimarães 2030. Ficamos a saber que nesta segunda oportunidade mais instituições estarão envolvidas na construção da candidatura e envolvidas na mudança. O lema é “Contamos Consigo!”, mas nenhum de nós se esquece das descargas poluentes em Abril no rio de Selho e em Setembro na ribeira da Agrela com centenas de peixes mortos.

O Plano de Mobilidade foi para discussão pública no fim do ano, mês em que as pessoas andam atarefadas com as festas, com os presentes, com as férias, preocupadas em matar as saudades dos familiares e amigos que voltam a casa. Apesar dos dois momentos de apresentação do plano e de discussão poucos devem ser os vimaranenses que conhecem o que será o futuro da cidade no que diz respeito à mobilidade. Um plano que não se fechará, mesmo depois de ser discutido e votado na Câmara e na Assembleia Municipal. Um plano de mobilidade urbana que apesar de fazer a apologia do uso da bicicleta, encontra na realidade dos dias uma outra aposta clara. Os 17 postos de abastecimento eléctricos instalados na malha urbana são reveladores do que pretendem para a mobilidade em Guimarães.

A sustentabilidade ambiental que promete transformar Guimarães numa cidade mais saudável mas os vimaranenses continuam à espera que as Urgências do Hospital Senhora da Oliveira encontrem saúde e se transformem num espaço em que os doentes são recebidos com a dignidade que merecem. Muitas foram as declarações que se prestaram sobre este assunto, depois de cantar vitória porque finalmente as verbas estavam aprovadas com o apoio da Câmara Municipal, eis que voltam atrás e afinal o Tribunal de Contas não aprovava a solução. Porém, ao cair da folha as boas notícias regressam e as contas são aprovadas, esperamos todos ansiosos e atentos pelo inicio das obras do serviço de Urgências de Guimarães.

Na educação no inicio do novo ano lectivo os estudantes que escolheram continuar os seus estudos em Guimarães foram confrontados com a falta de alojamento universitário. A solução encontrada pelo executivo camarário foi, em jeito de agência imobiliária, disponibilizar os serviços do município para ser “intermediário imobiliário” entre os jovens alunos e os senhorios. A nova escola EB2/3 das Taipas ainda não foi inaugurada apesar de ter sido apontada a sua inauguração para Setembro de 2018. Fecharam mais três escolas do ensino básico em Guimarães e muitas escolas com amianto esperam que seja feito um investimento na segurança e na saúde das comunidades escolares com a retirada de um material cancerígeno.

Na cultura colocou-se em questão o espaço mais premiado da cidade a Plataforma das Artes e da Criatividade, a necessitar de uma outra programação e de um projecto mais estruturado. Noutros tempos Guimarães foi Capital da Cultura.

Na relação com os Vimaranenses e designadamente com a oposição, a Câmara Municipal não aprendeu nada e continua arrogante, distante e a maioria prossegue o seu caminho de cilindrar as opiniões e propostas alheias. Excepção para a aprovação do novo regulamento da AM, onde, apesar de ter ficado aquém do necessário se deram passos positivos.

2018 foi, por tudo isto, um ano perdido, na visão da CDU, um ano a marcar passo de promessas a longo prazo. Visões de desenvolvimento para 2020 e 2030, mas o que está à porta é 2019 e para o novo ano não baixaremos os braços e continuaremos a lutar por mais condições de vida para todos os vimaranenses. Para que Guimarães passe a ser vista não só como um destino turístico, mas também como uma cidade ideal para se viver.


Nota: artigo publicado no jornal Comércio de Guimarães a 31  de Dezembro de 2018.