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Igualdades Avulso

Em Dezembro de 2015, Guimarães adere à Carta Europeia para a Igualdade das Mulheres e dos Homens na Vida Local. Em Dezembro de 2018, o executivo vimaranense apresenta o Plano Municipal para a Igualdade de Género (PMIG) do Concelho de Guimarães. Um dia da semana às 15h, dia e hora apropriados para que a mensagem chegue ao maior número de vimaranenses. Para aqueles que têm mais dificuldade com a ironia, reforço que existem temas que devem ser apresentados a todos nos grandes auditórios para que possamos realmente chegar à maioria e, de uma vez por todas, deixar de falar em desigualdade.

Em 2018 continuamos a falar de desigualdade entre homens e mulheres, desigualdades tão incompreensíveis como a diferença salarial para o mesmo trabalho. As mulheres ganham menos do que os homens quando trabalham na mesma posição. Continuamos a verificar que existem menos mulheres em cargos de chefia. E aqui podemos fazer aquela pausa para reflexão.

Não era necessário fazer nenhum estudo para sabermos que nos lugares de chefia, no concelho, e não apenas na Câmara Municipal, há mais homens que mulheres. Nas escolas, por exemplo, existem mais presidentes homens e às mulheres cabe o lugar de secretariado ou vice-presidente, lê-se no plano diz a imprensa.

Entretanto, já nos idos de 2001, o Município de Guimarães criou o Espaço Municipal para a Igualdade, mas não se lhe conhece iniciativa, intervenção, linha estratégica. Ao longo dos anos foi andando ao ritmo das dinâmicas nacionais, quando as havia. E só em 2018 é que se anuncia um plano que, espera-se, estabelece uma estratégia de transformação nas relações sociais entre homens e mulheres. Fica, para já, a promessa de que o Plano de Ação intervirá na Educação e Emprego, Inclusão Social, Saúde, Cultura e Desporto, Cidadania e Participação na Sociedade, Criminalidade e Segurança e Integração de Género na Administração Pública Local.

Sim, a promessa porque, apesar de ter sido anunciado, o tal plano ainda não conheceu a luz do dia. Não está publicado na Internet, não foi distribuído na Assembleia Municipal, mais parecendo um plano secreto para que ninguém o copie.
Sim, promessa também porque, se o executivo PS andava já atento a esta matéria de desigualdade de género, não se compreende como é que em 2018 as medalhas da cidade são dadas a cinco personalidades entre as quais não consta nenhuma mulher.

Tal como não se compreende que, em todos os lugares de confiança e de nomeação política não se encontre apenas uma mulher. A Turitermas tem um director homem. A Vitrus tem um presidente homem. A Vimágua tem um presidente homem. A Tempo Livre tem um presidente homem.

Assim vai a vida no burgo. Se continuássemos a pesquisa talvez encontrássemos mais desigualdade na estrutura dos responsáveis municipais que nos acenam agora com um Plano Municipal para Igualdade de Género aquele que ainda não está acessível a todos.

Por isso, deixo para mais tarde mais considerações sobre o plano que irei ler com toda a atenção. E verificarei se esta preocupação e este caminho de desenvolvimento humano vai mais longe do que os cargos de chefia, se vai às políticas que assegurem às trabalhadoras do têxtil e do calçado os espaços para deixarem os seus filhos ou às políticas que garantam que as trabalhadoras do comércio podem ver as suas famílias à noite ou aos fins-de-semana. Se reconhece as más práticas que condicionam o acesso das mulheres à carreira, como as entrevistas em que as mulheres são questionadas se têm ou tencionam ter filhos. E se foca as políticas salariais que garantem condições para que as mulheres possam ser livres, independentes e felizes.


Nota: artigo publicado no jornal Duas Caras em 10 de Dezembro de 2018.

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