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Os últimos dados sobre o turismo em Guimarães já são conhecidos. A Câmara Municipal de Guimarães aponta que em 2018 terão passado mais de cinco mil pessoas pelos postos de turismo por mês, num total de 80.393 e a origem dos visitantes é maioritariamente de Espanha (47%), seguida da França (13%), Portugal (9%) e Brasil (7%).

A análise que se pode fazer com esta, curta, informação poderia estender-se por várias páginas. O que me salta à vista é o número reduzido de portugueses que visitam Guimarães, mas se calhar sou demasiado agarrada a este bairrismo que caracteriza os vimaranenses e, por isso, preocupa-me e muito que, sendo Guimarães Património da Humanidade, não seja capaz de atrair mais turistas nacionais. Parece-me que está a falhar a divulgação da cidade e do concelho dentro de portas.

De seguida, não deixa de ser interessante este número, mensal, de turistas que terão recorrido aos Postos de Turismo. Bem, aqui quero só fazer uma pausa para reflexão. Postos de Turismo no plural? Uma breve pesquisa pelo sitio da internet Turismo em Guimarães e percebemos que existe apenas um Posto de Turismo, que se localiza na Praça Santiago. Será suficiente para um concelho que procura desenvolver o turismo?

E por último, referir que não me parece um número assim tão alto porque faltam, por todo o centro, as placas indicadoras das direcções dos museus, das ruas mais emblemáticas, de igrejas e até do teleférico. Esta observação é de “experiência feita”, os comerciantes vêem os turistas a entrar nos seus espaços maioritariamente para pedir indicações porque nada está sinalizado. Talvez seja mais um dos contributos do comércio tradicional, mas não será de todo a sua principal função, a de servir de posto de turismo, e ver defraudadas as suas expectativas de venda a cada final de dia.

E assim chegamos a um problema que o executivo PS tende a ignorar, ano após ano, que é o da falta de desenvolvimento do comércio tradicional no centro da cidade.

Assim com um desenvolvimento na área do turismo feito de forma gradual, como afirmou a vereadora da cultura. De ano para ano os números sobem, a promoção do território vimaranense faz-se de forma gradual, mas a taxa turística será uma resposta rápida e efectiva. Já que os outros concelhos aplicaram, Guimarães não pode ficar atrás. Não há direito a reflexão nem a argumentos válidos para a sua aplicação, existe apenas um presidente da Câmara Municipal de Guimarães que afirma: “ser “irreversível” a sua decisão de implementar na cidade uma taxa turística”.

Cá está, quero, posso e mando. Apesar de ainda estar a ser feito um estudo sobre o valor a cobrar, apesar da aplicação de mais uma taxa ter que ser submetida a reunião de Câmara e à Assembleia Municipal não existe qualquer dúvida, como podemos ver nas palavras do presidente Domingos Bragança: “A decisão por mim tomada de implementarmos aqui uma taxa turística é irreversível, por mim está assumida.”

Desta forma se vão gerindo os interesses que são de todos. Daqueles que vivem no concelho e daqueles que nos visitam. Um processo que ainda está em fase de crescimento, que deverá ser desenvolvido tendo em vista o comércio, a hotelaria, a restauração, a conservação do património, os programas culturais e até a oferta de transportes públicos é assim resumido a um querer individual.

Não se pretende fazer diferente, não se procura cuidar da “galinha dos ovos de ouro”. O que se pode concluir é que apesar de Guimarães ter um grande potencial turístico, e deste ainda não estar devidamente desenvolvido, já podemos encontrar tiques de grandes cidades nacionais abafadas pela falta de estratégia e que torna a vida dos locais e dos visitantes num pequeno inferno.

Querem matar a galinha dos ovos d’ouro transformando-a em arroz de “pica no chão”.


Nota: artigo publicado no jornal Duas Caras em 19 de Janeiro de 2019.

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